O Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, reconhece nas quedas um dos maiores riscos à saúde e à autonomia do idoso, uma ocorrência que a medicina geriátrica trata com protocolo específico, abordagem multidisciplinar e foco preventivo. Em um contexto marcado pelo envelhecimento acelerado da população brasileira, quedas na terceira idade representam uma das principais causas de hospitalização, perda de mobilidade e redução da qualidade de vida. Compreender os fatores de risco e as estratégias de prevenção disponíveis é fundamental para quem convive com ou cuida de um idoso.
Por que os idosos são mais vulneráveis a quedas?
O envelhecimento traz consigo uma série de alterações fisiológicas que aumentam progressivamente o risco de quedas: diminuição da força muscular, redução do equilíbrio, alterações na marcha, declínio da acuidade visual e lentidão nos reflexos de proteção. Somado a isso, o uso de múltiplos medicamentos, condição comum na terceira idade, pode provocar efeitos colaterais como tontura, hipotensão postural e sonolência, ampliando ainda mais a vulnerabilidade. A combinação desses fatores cria um cenário de risco que exige atenção sistemática e não pode ser tratado como consequência inevitável do envelhecimento.
O ambiente doméstico é responsável pela maior parte das quedas entre idosos, com pisos escorregadios, iluminação inadequada, tapetes soltos e banheiros sem barras de apoio sendo os principais vilões. Contudo, o risco não se limita ao lar: calçadas irregulares, degraus sem sinalização e transporte público mal adaptado são fatores externos que afetam especialmente os idosos que vivem em regiões com infraestrutura precária, como as comunidades atendidas pelo Humaniza Sertão no sertão cearense.
Como a geriatria avalia e previne o risco de quedas?
A avaliação geriátrica do risco de quedas é abrangente e considera múltiplas dimensões do estado de saúde do idoso. Testes de equilíbrio e marcha, revisão do histórico de medicamentos, análise da força muscular e avaliação cognitiva fazem parte do protocolo que o Doutor Yuri Silva Portela e profissionais da área utilizam para identificar os fatores de risco presentes em cada paciente. A partir dessa avaliação, é possível estruturar um plano de intervenção individualizado que combine exercícios físicos, ajustes na medicação e orientações sobre adaptações no ambiente.
A fisioterapia ocupa papel central na prevenção de quedas, com programas de fortalecimento muscular, treino de equilíbrio e reeducação da marcha que produzem resultados concretos na redução de incidentes. Conforme aponta o Doutor Yuri Silva Portela, a abordagem preventiva é sempre mais eficaz e menos custosa do que o tratamento das consequências de uma queda, que frequentemente incluem fraturas graves, cirurgias e longos períodos de reabilitação com impacto significativo sobre a autonomia e o bem-estar do idoso.

O que muda após uma queda: reabilitação e reintegração
Quando a queda já ocorreu, a reabilitação geriátrica assume papel fundamental para devolver ao idoso a mobilidade, a confiança e a autonomia perdidas. O medo de cair novamente é uma das consequências mais debilitantes de uma queda, pois leva muitos idosos a reduzirem drasticamente suas atividades, o que acelera o declínio funcional e aumenta o isolamento social. Tratar esse medo é parte indissociável do processo de reabilitação e exige uma abordagem que combine suporte físico e psicológico.
A reintegração plena do idoso às suas atividades cotidianas após uma queda depende de uma rede de cuidado que inclua família, fisioterapeutas, médicos e, quando necessário, psicólogos. O Doutor Yuri Silva Portela frisa que o cuidado pós-queda não termina com a alta hospitalar ou com a consolidação de uma fratura: ele continua no acompanhamento regular, na revisão dos fatores de risco e na adaptação contínua do ambiente e das rotinas do idoso às suas necessidades reais.
Prevenção de quedas como compromisso coletivo
A prevenção de quedas na terceira idade não é responsabilidade exclusiva do idoso ou de seu médico. Famílias, cuidadores, arquitetos, gestores públicos e comunidades têm papéis ativos na construção de ambientes mais seguros e de uma cultura de cuidado que valorize a autonomia do idoso. À medida que a sociedade compreende que as quedas são em grande parte evitáveis, as ações preventivas ganham legitimidade e alcance.
O trabalho do Doutor Yuri Silva Portela no Humaniza Sertão inclui orientações práticas sobre prevenção de quedas nas comunidades atendidas, levando informação técnica a famílias e cuidadores que muitas vezes nunca tiveram acesso a esse tipo de conteúdo. Cuidar da segurança do idoso é cuidar de sua dignidade e de sua capacidade de continuar vivendo com plenitude. Converse com um geriatra e avalie os riscos presentes no ambiente e na saúde do idoso que você ama.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

