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Economia

Endividamento recorde no Brasil em 2026 afeta o bolso e o comércio de Campinas

Viktor Miroven
Viktor Miroven junho 30, 2026 6 Min de leitura
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Um em cada cinco brasileiros não consegue pagar suas dívidas em dia, e o efeito chega até o interior paulista

Contents
O recorde que preocupa economistas e comerciantesO cartão de crédito no centro do problemaComo isso chega ao dia a dia de CampinasO que esperar nos próximos meses

O Brasil entrou em 2026 carregando um peso histórico nas costas das famílias: o maior índice de endividamento desde que as pesquisas nacionais passaram a medir o tema. O dado, que em um primeiro olhar pode parecer distante da realidade local, encontra ressonância direta nas ruas do comércio campineiro, nas filas dos bancos e nas conversas de quem tenta renegociar parcelas no fim do mês. Entender de onde vem esse cenário e como ele afeta uma cidade economicamente vigorosa como Campinas é fundamental para quem quer navegar 2026 com mais segurança financeira.

O recorde que preocupa economistas e comerciantes

O Brasil atingiu, em 2026, o maior índice de endividamento das famílias desde o início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em abril, 80,9% das famílias brasileiras declararam possuir algum tipo de dívida, índice impulsionado pela alta taxa de juros, pelo crescimento do uso do crédito rotativo, pela pressão do custo de vida e pelo avanço das apostas online sobre o orçamento doméstico. Senado

Para se ter a dimensão do problema, segundo dados do Banco Central, a fatia de renda das famílias comprometida com dívidas saltou de aproximadamente 22% em 2019 para 29,7% no fim de 2025, o que significa que quase um terço do orçamento doméstico já está carimbado para o pagamento de dívidas antes mesmo de outras despesas básicas serem pagas. Em outras palavras, a margem que sobra para gastar no comércio local, pagar a escola dos filhos ou fazer uma reforma em casa ficou significativamente menor. Senado

O cartão de crédito no centro do problema

Dentre os vilões do endividamento, o cartão de crédito ocupa um lugar de destaque. O cartão de crédito rotativo consolida-se como a linha mais dura do mercado, com taxas que podem atingir entre 428% e 440,5% ao ano, sendo o principal fator de endividamento para 83,6% das famílias e comprometendo, sozinho, 54% da renda familiar. Isso significa que mais da metade do que muitas famílias ganham já está, na prática, comprometido antes mesmo de chegar ao salário do mês seguinte. Senado

Outro fator que passou a chamar atenção dos especialistas é o impacto das apostas online. De janeiro de 2023 a março de 2026, a inadimplência do consumidor causada pelas bets retirou R$ 143 bilhões do comércio varejista, montante equivalente ao volume de vendas nos períodos de Natal de 2024 e 2025 somados. O crescimento do gasto dos brasileiros com as plataformas eletrônicas nesse período foi superior a R$ 30 bilhões por mês. Para o comércio de uma cidade como Campinas, que tem no consumo interno uma das bases de sua dinâmica econômica, esses números não são abstratos. Agência Brasil

Como isso chega ao dia a dia de Campinas

Campinas é uma cidade com economia diversificada, forte no setor industrial e de serviços, com influência direta da Unicamp e de dezenas de multinacionais instaladas na região. Mesmo assim, o endividamento nacional repercute localmente de maneira bastante concreta. Quando o consumidor está comprometido com parcelas, ele adia a troca de eletrodomésticos, reduz as saídas em restaurantes, segura a compra de roupas e posterga reformas. O professor Marcos Melo avalia que os juros elevados acabam afetando toda a dinâmica econômica do país, pois com menos renda disponível, as famílias reduzem gastos considerados não essenciais. Senado

No cenário mais amplo, há ainda uma desigualdade importante a se observar. A parcela de famílias com conta atrasada é maior à medida que diminui o rendimento domiciliar: nos lares com renda de até três salários mínimos, o percentual de inadimplentes chega a 38,9%, enquanto entre consumidores que recebem mais de dez salários mínimos fica em 14,9%. Em Campinas, onde o contraste entre bairros ricos e periferias vulneráveis é parte do cotidiano, essa diferença tem nome e endereço. Agência Brasil

O que esperar nos próximos meses

A perspectiva dos economistas para o segundo semestre de 2026 é de algum alívio, mas sem euforia. A CNC projeta que o endividamento das famílias deve seguir em alta, chegando a 80,4% em junho, mas estima redução da inadimplência até encostar em 28,9% no mesmo período. Para o economista-chefe da CNC, o alívio começa quando a queda da taxa Selic, esperada para o início do segundo semestre, for sentida efetivamente no mercado de crédito. Para o morador de Campinas que está nessa situação, o recado é prático: renegociar as dívidas com juros mais altos agora, antes de a situação se agravar, pode ser uma janela importante antes que o mercado de crédito volte a respirar com mais folgura. Agência Brasil

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