Levantamento global aponta que tecnologia e ciberataques já superam riscos tradicionais na lista de preocupações de executivos
A gestão de riscos empresariais mudou de forma significativa nos últimos anos, e 2026 confirma essa transformação. Levantamentos internacionais recentes mostram que empresas brasileiras, assim como suas concorrentes ao redor do mundo, precisam lidar com um novo tipo de ameaça: a que nasce justamente das ferramentas tecnológicas adotadas para ganhar eficiência.
O principal risco identificado pelas empresas não é novidade, mas sua margem de liderança cresceu. Segundo a edição 2026 do Allianz Risk Barometer, estudo que ouviu mais de 4 mil executivos em 120 países, os incidentes cibernéticos seguem como o principal risco global para as empresas, com uma margem maior do que nunca, cerca de 10% à frente do risco relacionado à inteligência artificial. Esse é o quinto ano consecutivo em que o risco cibernético ocupa a primeira posição do ranking, um salto expressivo em relação a uma década atrás, quando aparecia apenas na oitava colocação. Movimento EconômicoMovimento Econômico
A inteligência artificial como nova fonte de exposição
O avanço da automação trouxe consigo uma consequência direta: mais tecnologia significa mais pontos de vulnerabilidade. O estudo evidencia que, à medida que as empresas incorporam inteligência artificial, automação, análise de dados e plataformas digitais aos seus processos, cresce também a exposição a novos tipos de risco, refletindo uma economia cada vez mais dependente de sistemas digitais e infraestrutura tecnológica crítica. Movimento Econômico
O ritmo de incorporação da inteligência artificial nas operações corporativas superou a capacidade das empresas de gerenciar os riscos associados. Segundo o relatório The State of AI 2025, da McKinsey, 88% das organizações já usam inteligência artificial regularmente em pelo menos uma função de negócio, mas a maioria ainda está em estágio de experimentação, sem escalar a tecnologia de forma ampla. Esse descompasso entre adoção e governança preocupa especialistas em compliance e gestão de risco. Nava
O que a regulação brasileira já prevê
O Brasil também caminha para formalizar regras específicas sobre o tema. O Projeto de Lei 2338/2023, aprovado pelo Senado Federal em dezembro de 2024, segue em tramitação na Câmara dos Deputados, adotando uma abordagem baseada em risco semelhante à do AI Act europeu, com obrigações que vão além da própria Lei Geral de Proteção de Dados. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados incluiu a inteligência artificial entre seus eixos prioritários de fiscalização para o período de 2026 a 2027. NavaNava
Apesar do avanço regulatório em discussão, a maior parte das empresas ainda não organizou processos internos adequados para lidar com essas novas ferramentas. Muitas organizações adotaram ferramentas de inteligência artificial sem políticas internas, critérios de segurança, classificação de riscos ou mecanismos de supervisão humana, o que amplia a exposição a riscos jurídicos, regulatórios e reputacionais. Ius
Como a gestão de riscos se transformou
O modelo tradicional de avaliação de riscos, baseado principalmente em experiência e reação a crises, também está mudando. Em 2026, as estratégias de mitigação deixaram de se apoiar apenas na experiência acumulada para se tornarem orientadas por dados, tecnologia e cultura organizacional, com empresas utilizando indicadores de desempenho, auditorias frequentes e monitoramento em tempo real para identificar ameaças de forma contínua. Smartia
O que esperar dos próximos meses
Para as empresas brasileiras, o desafio segue sendo equilibrar a adoção acelerada de novas tecnologias com estruturas de governança capazes de acompanhar esse ritmo. Especialistas recomendam que companhias de todos os portes comecem pelo básico: mapear quais ferramentas de inteligência artificial já estão em uso internamente, antes mesmo de pensar em políticas mais sofisticadas de controle e conformidade regulatória.
Fontes:
https://movimentoeconomico.com.br/economia/negocios/gestao/2026/01/27/ia-ciberseguranca-e-tarifas-redesenham-os-riscos-globais-para-2026/
https://nava.com.br/insights/blog/ia/governanca-de-ia-nas-empresas/
https://blog.iusnatura.com.br/inteligencia-artificial-compliance/
https://www.smartia.com.br/blog/gestao-de-riscos-empresariais-em-2026/

