O El Niño pode alcançar intensidade muito forte no último trimestre de 2026 e influenciar o regime de chuvas e as temperaturas no Brasil até o verão de 2027. O quarto boletim do Painel El Niño 2026-2027, divulgado em 1º de outubro, indica 95% de probabilidade de o fenômeno atingir essa condição entre outubro e dezembro.
O monitoramento é realizado em conjunto por órgãos federais como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e o Censipam. O INPE divulgou as informações do quarto boletim.
Quais regiões do Brasil podem ser mais afetadas
De acordo com as projeções oficiais, o Sul do Brasil deve concentrar a maior probabilidade de chuvas acima da média no período analisado. Esse cenário pode elevar a possibilidade de cheias e exigir atenção de municípios, órgãos de defesa civil, produtores rurais e moradores de áreas vulneráveis.
Ao mesmo tempo, o centro-norte do país tende a enfrentar condições mais secas. A combinação entre menor disponibilidade de chuva e temperaturas elevadas pode aumentar a pressão sobre os recursos hídricos, a agricultura e as atividades que dependem do armazenamento de água. As projeções, porém, não representam uma previsão meteorológica para cada dia nem determinam, isoladamente, a ocorrência de desastres.
O boletim também aponta temperaturas acima da média em grande parte do território brasileiro. Com isso, aumentam os riscos associados a ondas de calor, estiagens e incêndios florestais. O Cemaden reúne a avaliação dos potenciais impactos regionais e orientações relacionadas ao cenário projetado.
Impactos vão além da previsão do tempo
A atuação do El Niño pode afetar diferentes áreas do planejamento público e da economia. Recursos hídricos, produção agrícola, geração de energia, saúde pública e prevenção de desastres estão entre os setores que precisam acompanhar a evolução das condições climáticas. A intensidade e a distribuição dos efeitos variam conforme a região e também dependem de outros fatores atmosféricos e locais.
Para os municípios, o cenário reforça a importância de revisar protocolos de prevenção e resposta, especialmente em áreas sujeitas a inundações, deslizamentos, estiagens e queimadas. No caso da população, o acompanhamento de alertas oficiais é uma medida importante para orientar decisões durante episódios de calor intenso, chuva volumosa ou baixa umidade.
A ANA divulgou, em 14 de setembro de 2026, um plano de preparação voltado aos possíveis impactos do El Niño 2026-2027 sobre os recursos hídricos brasileiros. Segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, a preparação busca apoiar o enfrentamento das possíveis alterações na disponibilidade e na demanda por água.
Saúde também entra no planejamento
O aumento das temperaturas, a estiagem, as queimadas e os episódios de inundação podem pressionar os serviços de saúde. Esses efeitos atingem a população de formas diferentes, dependendo das condições locais, da infraestrutura disponível e do grau de exposição aos eventos extremos.
Por esse motivo, o Ministério da Saúde estruturou medidas de preparação para o ciclo 2026-2027. O plano considera riscos relacionados ao calor extremo, às queimadas, à estiagem e às inundações, além da necessidade de organizar a resposta dos serviços de saúde diante de possíveis mudanças no padrão climático. As informações foram apresentadas pelo Ministério da Saúde.
O que a população deve acompanhar
O alerta sobre um El Niño muito forte não significa que todas as regiões terão os mesmos efeitos ou que os eventos extremos ocorrerão de maneira contínua. A previsão sazonal indica tendências para um período mais amplo, enquanto as condições observadas no dia a dia dependem de atualizações meteorológicas e de outros sistemas climáticos.
Por isso, moradores, empresas, produtores e gestores públicos devem acompanhar as atualizações do INPE, do INMET, do Cemaden, da Defesa Civil e de outros órgãos responsáveis pelo monitoramento. A combinação entre informação atualizada, planejamento e atenção aos alertas pode reduzir riscos durante o verão de 2027, quando os efeitos do fenômeno ainda estarão no centro do acompanhamento climático nacional.

