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Economia

Nova lei organiza estratégia do Brasil para minerais de alto valor tecnológico

Redação Gazeta Campinas
Redação Gazeta Campinas outubro 8, 2026 5 Min de leitura
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Trabalhador usando uniforme azul opera uma mesa vibratória para separar e processar minério em uma instalação industrial.
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O Brasil passou a contar com uma política nacional voltada aos minerais críticos e estratégicos. Sancionada em 16 de setembro de 2026, a Lei nº 15.506 institui diretrizes para ampliar a pesquisa, a produção, o beneficiamento, a transformação e a industrialização desses recursos no país. A proposta busca fortalecer cadeias produtivas ligadas à tecnologia, à transição energética, à defesa e à infraestrutura.

Contents
Foco está na industrialização e na inovaçãoFundo poderá ampliar segurança para investimentosDecreto regulamenta conselho responsável pela política

O novo marco legal também cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), vinculado à Presidência da República. O órgão terá a função de coordenar ações e políticas públicas relacionadas ao setor, reunindo iniciativas que hoje podem estar distribuídas entre diferentes áreas do governo.

De acordo com o texto da Lei nº 15.506 publicado pela Presidência da República, a política pretende promover não apenas a extração mineral, mas também as etapas posteriores da cadeia. A intenção é reduzir a dependência da exportação de matérias-primas e estimular a fabricação, no território nacional, de produtos com maior valor agregado.

Foco está na industrialização e na inovação

Os minerais abrangidos pela política são relevantes para setores que dependem de insumos específicos, como equipamentos eletrônicos, sistemas de armazenamento de energia, veículos elétricos, tecnologias de baixo carbono e aplicações industriais avançadas. A legislação também considera a mineração urbana, relacionada ao reaproveitamento de materiais e resíduos que contenham minerais críticos ou estratégicos.

Essa abordagem amplia o alcance da política para além das minas convencionais. Na prática, o reaproveitamento de resíduos e o desenvolvimento de técnicas de processamento podem contribuir para aumentar a oferta de insumos e diminuir perdas ao longo da cadeia produtiva. O resultado, porém, dependerá da definição dos projetos prioritários, da capacidade tecnológica e da execução dos mecanismos previstos.

Outro eixo da lei é o estímulo à pesquisa, ao desenvolvimento e à inovação. Empresas que atuarem na pesquisa, na lavra, no beneficiamento ou na transformação dos minerais contemplados deverão destinar percentuais mínimos da receita operacional bruta a projetos de inovação e à integralização de cotas de um fundo garantidor durante os seis primeiros anos após a regulamentação, conforme as regras estabelecidas no marco legal.

Fundo poderá ampliar segurança para investimentos

A lei autoriza a criação do Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM), que poderá contar com participação da União de até R$ 2 bilhões. O mecanismo foi desenhado para oferecer garantias e reduzir riscos de projetos ligados à atividade mineral, especialmente em empreendimentos que exigem investimentos elevados, prazos longos e desenvolvimento tecnológico.

Também foi criado o Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos. A iniciativa poderá conceder créditos fiscais de até R$ 1 bilhão por ano entre 2030 e 2034, desde que os empreendimentos atendam aos critérios definidos na legislação e em regulamentações posteriores.

Segundo o Ministério da Fazenda, o marco está associado à transformação ecológica e à necessidade de fortalecer segmentos industriais relacionados à economia de baixo carbono. A política, portanto, combina objetivos econômicos, tecnológicos e ambientais, mas os efeitos dependerão da aplicação dos incentivos e da seleção de projetos capazes de gerar encadeamentos produtivos no país.

Decreto regulamenta conselho responsável pela política

A estrutura inicial de governança foi definida no mesmo dia da sanção da lei. O Decreto nº 13.118, publicado pela Presidência da República, regulamenta o funcionamento do CIMCE e cria um grupo de assessoramento sobre minerais críticos e estratégicos.

Esse desenho institucional deverá apoiar a coordenação entre órgãos públicos e orientar a formulação de medidas para pesquisa, produção e transformação mineral. A existência de um conselho nacional também pode facilitar a integração entre políticas de mineração, indústria, ciência e tecnologia, energia e comércio exterior.

Em explicação sobre a medida, a Câmara dos Deputados destacou a criação da política nacional e seus instrumentos de apoio à cadeia mineral. A implementação, contudo, ainda exigirá regulamentações, definição de critérios e capacidade de acompanhamento dos resultados.

O desafio central será transformar a disponibilidade de recursos naturais em produção industrial e inovação. Para isso, será necessário ampliar infraestrutura, qualificação profissional, pesquisa aplicada e segurança jurídica, além de conciliar a atividade mineral com exigências ambientais e sociais. A nova lei cria as bases institucionais e financeiras dessa estratégia, mas não garante, por si só, que o país avance automaticamente para as etapas mais sofisticadas das cadeias tecnológicas.

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