Dois ou três materiais cuidadosamente selecionados, aplicados de maneira coerente em todas as áreas do imóvel, são a base da fórmula elaborada por Diohn do Prado, diretor administrativo. Ele a aplica em projetos de alto padrão, nos quais a sofisticação deixa de ser medida pela variedade de revestimentos e passa a depender da qualidade e da presença de cada matéria-prima.
O chamado minimalismo material não se caracteriza pela ausência de objetos ou pela temperatura baixa dos ambientes. A proposta é reduzir a quantidade de elementos para que os materiais escolhidos ganhem destaque, com superfícies contínuas, paleta restrita e integração entre ambientes que reforçam a sensação de calma e amplitude.
A seguir, serão apresentados os fundamentos dessa tendência e os cuidados necessários em sua especificação e execução.
Menos materiais, mais protagonismo da matéria-prima
Em projetos cuja quantidade de revestimentos é elevada, há uma tendência à fragmentação espacial. Isso ocorre porque a substituição de um revestimento por outro resulta em uma mudança na fronteira visual do ambiente. Ao limitar a paleta a poucos elementos, como uma pedra natural, uma madeira e um metal, o projeto adquire unidade e permite que texturas, veios e tonalidades sejam percebidos com maior clareza.
Diohn do Prado explica que, nesse contexto, a pedra natural geralmente é empregada como elemento central da composição, uma vez que possibilita variação visual dentro de um único material. A riqueza cromática e textural, presente nos veios da madeira, confere sofisticação ao ambiente sem a necessidade de adições supérfluas, preservando a integridade da composição.

A lógica de integração entre ambientes é um dos pilares fundamentais da empresa. Quando os mesmos materiais são empregados em diferentes ambientes, como a cozinha, a sala e a varanda, os espaços se tornam um todo integrado, aumentando a sensação de amplitude mesmo em áreas de dimensões moderadas.
O minimalismo que expõe cada detalhe
Reduzir os itens de uma lista amplia a visibilidade de cada decisão. Num ambiente com elementos em desacordo, como emendas desalinhadas, veio mal posicionado ou rodapé fora de nível, a atenção é imediatamente atraída para o problema. Portanto, o minimalismo material depende de precisão na paginação, no corte e na instalação.
Com base na leitura de Diohn do Prado, a seleção do acabamento contribui para mitigar o efeito de uma paleta reduzida, evitando que os ambientes se tornem frios e carentes de conforto. A aplicação de superfícies escovadas, levigadas ou com textura de couro proporciona profundidade tátil sem a necessidade da introdução de novos materiais.
A proposta de iluminação é um elemento-chave que contribui significativamente para a criação de um ambiente completo. A luz rasante sobre as paredes de pedra destaca os relevos, enquanto fontes indiretas valorizam os veios, criando variações ao longo do dia e permitindo que diferentes materiais produzam percepções distintas conforme o horário.
Menos excessos e mais intenção na composição
O minimalismo material prega a eliminação de elementos supérfluos, destacando a qualidade e a coerência de uma pequena gama de matérias-primas. A matéria-prima é o principal destaque do projeto, graças às superfícies contínuas, à paleta reduzida e à integração entre ambientes.
Diohn do Prado entende que esse procedimento requer julgamentos mais minuciosos desde o início, pois cada material responde por uma parcela significativa da identidade do ambiente, devendo ser apropriado para todos os usos aos quais será destinado.
Essa abordagem também amplia a importância da especificação técnica, já que resistência, manutenção, acabamento e continuidade visual passam a ter peso semelhante ao da estética. A escolha deixa de considerar apenas o impacto imediato da superfície e passa a avaliar como ela se comportará no uso cotidiano e ao longo do tempo.
Para profissionais de arquitetura e design de interiores, a tendência atual é que elementos de sofisticação sejam incorporados de forma contida e discreta. Com uma redução de elementos e uma maior ênfase na intenção, o resultado tende a ser atemporal, resistente às rápidas mudanças de gosto e mais fácil de manter ao longo dos anos.

