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Quando a comparação social deixa de ser uma referência e passa a moldar o valor pessoal, segundo Taiza Tosatt Eleoterio

Viktor Miroven
Viktor Miroven janeiro 31, 2024 6 Min de leitura
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Taiza Tosatt Eleoterio
Taiza Tosatt Eleoterio
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Comparar trajetórias, conquistas ou características pessoais faz parte da convivência em sociedade, e dificilmente alguém atravessa a vida adulta sem se pegar avaliando a própria situação em relação à de outras pessoas. O problema surge quando essa comparação deixa de ser uma referência pontual e passa a definir o próprio valor, influenciando a forma como a pessoa percebe suas capacidades, relações e identidade. Na avaliação de Taiza Tosatt Eleoterio, esse é um dos equívocos mais recorrentes observados atualmente em relatos de sofrimento emocional, já que transformar a comparação social no principal parâmetro de valor pessoal distorce a percepção sobre a própria trajetória e compromete a construção de uma identidade emocional mais sólida, independentemente de quão bem-sucedida essa trajetória seja objetivamente.

Contents
Como a comparação social influencia a forma de avaliar a própria vida? A busca por reconhecimento sustenta esse padrão de comparação Por que a comparação social gera insatisfação persistente? O fortalecimento de referências internas amplia a segurança emocional 

O conteúdo a seguir analisa esse erro recorrente, explicando por que ele acontece com tanta frequência e o que muda quando o valor pessoal deixa de depender de referências externas.

Como a comparação social influencia a forma de avaliar a própria vida? 

Esse padrão costuma se manifestar de forma sutil, sem que a pessoa perceba com clareza que está avaliando a própria vida a partir de referências externas. Comparar a própria carreira com a de colegas que parecem ter avançado mais rápido é uma das formas mais comuns desse comportamento, mesmo quando as trajetórias envolvidas seguem ritmos e contextos completamente diferentes.

Medir o próprio sucesso pelas conquistas de outras pessoas, avaliar a aparência a partir de padrões externos ou sentir que está “atrasado” em relação a marcos que outros já alcançaram também integram esse repertório. Em todos esses casos, o critério de avaliação deixa de ser interno e passa a depender de uma referência externa em constante movimento.

A prática clínica de Taiza Tosatt Eleoterio mostra que esse padrão costuma se intensificar em momentos de instabilidade emocional, quando a insegurança já existente encontra, na comparação constante, uma forma de confirmação, ainda que distorcida, sobre a própria inadequação percebida.

A busca por reconhecimento sustenta esse padrão de comparação 

Do ponto de vista da psicanálise, esse comportamento está relacionado à necessidade humana de reconhecimento, presente desde os primeiros vínculos de cuidado, quando a criança depende da validação externa para construir sua própria identidade. Essa necessidade não desaparece na vida adulta, apenas muda de forma, e pode se manifestar como dependência de referências externas para avaliar o próprio valor.

A identidade também se constrói nas relações, e não isoladamente, o que explica por que comparações fazem parte inevitável da convivência social. Expectativas sociais sobre marcos de sucesso, combinadas à busca por validação externa, tornam esse terreno ainda mais fértil para que a comparação assuma um papel desproporcional na autoavaliação.

Ao analisar esse tipo de experiência, Taiza Tosatt Eleoterio ressalta que a exposição constante às redes sociais intensifica esse padrão, sem ser sua única causa: elas oferecem acesso ininterrupto a recortes editados da vida alheia, mas o mecanismo psíquico que sustenta a comparação já estava presente antes dessas ferramentas existirem.

Por que a comparação social gera insatisfação persistente? 

Quando a autoavaliação depende excessivamente de referências externas, a pessoa tende a experimentar insatisfação constante, já que sempre existirá alguém, real ou aparente, em posição percebida como superior. Esse mecanismo impede que conquistas genuínas sejam reconhecidas em seu próprio valor, e não apenas em comparação a um padrão externo variável.

Entre os aspectos mais relevantes desse processo, Taiza Tosatt Eleoterio destaca a dificuldade de reconhecer conquistas próprias sem antes verificar se elas se equiparam ao que outras pessoas alcançaram, um padrão que gera sentimento persistente de inadequação, independentemente do progresso real obtido ao longo do tempo.

Esse funcionamento também enfraquece a autoestima de forma cumulativa e pode contaminar relações pessoais, que passam a ser vividas sob uma lógica de competitividade ou insegurança, em vez de reciprocidade e apoio mútuo entre as partes envolvidas.

O fortalecimento de referências internas amplia a segurança emocional 

Fortalecer o senso de valor próprio envolve, principalmente, desenvolver critérios internos de avaliação, menos dependentes de referências externas em constante variação. Isso significa reconhecer conquistas e dificuldades a partir do que faz sentido para a própria trajetória, e não a partir da distância que guardam em relação ao que outras pessoas parecem ter alcançado.

A leitura psicanalítica apresentada por Taiza Tosatt Eleoterio contribui para compreender que esse processo não elimina toda forma de comparação, algo praticamente inevitável no convívio social, mas reduz seu peso na construção da identidade, permitindo que a pessoa reconheça a própria história com mais clareza, mais foco em valores e prioridades pessoais e menos distorção.

Comparar-se faz parte da vida em sociedade, mas transformar essa comparação na medida do próprio valor pode limitar o desenvolvimento emocional, mantendo a pessoa presa a um padrão de avaliação que nunca oferece satisfação duradoura. Taiza Tosatt Eleoterio reforça que, quando a identidade passa a ser construída a partir de referências internas e relações mais conscientes, torna-se possível reconhecer a própria trajetória com menos dependência de padrões externos.

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