Saldo positivo de 5.219 novos negócios reforça a posição da cidade como um dos polos econômicos mais dinâmicos do interior paulista
O ambiente de negócios em Campinas segue em expansão. A cidade encerrou o primeiro semestre de 2026 com saldo positivo de 5.219 empresas abertas, número 36% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando o saldo havia sido de 3.834 novos negócios. Os dados são da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação de Campinas, com base em levantamento da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp).
Um crescimento que se acelera ao longo do ano
O ritmo de abertura de empresas já vinha chamando atenção desde o início de 2026. Entre janeiro e abril, a cidade havia registrado 3.768 novas empresas, alta de 45% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. A manutenção desse crescimento até junho, com o saldo ultrapassando cinco mil negócios, indica que o movimento não se tratou de um resultado pontual, mas de uma tendência que se consolidou ao longo do semestre.
Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, o crescimento reflete o fortalecimento do ambiente empreendedor da cidade, que reúne infraestrutura consolidada, mão de obra qualificada e um ecossistema econômico diversificado. Campinas combina a presença de grandes indústrias, um polo tecnológico em expansão e um setor de serviços aquecido, fatores que juntos criam condições favoráveis para quem decide abrir um negócio na região.
O papel do envelhecimento populacional no mercado local
Um dado que chama atenção nesse cenário é o impacto do envelhecimento da população sobre o empreendedorismo. Levantamento do Sindivarejista Campinas mostra que o número de pessoas com 50 anos ou mais atuando no comércio da cidade cresceu 44% em dez anos. Para economistas que acompanham o setor, esse movimento está diretamente ligado ao aumento na abertura de empresas, já que parte significativa desses profissionais mais experientes tem optado por empreender em vez de buscar novos vínculos empregatícios tradicionais.
O crescimento não se limita ao pequeno comércio. O Ciesp-Campinas, que reúne 590 empresas associadas em 19 municípios da região, com faturamento conjunto de R$ 53 bilhões por ano e cerca de 98 mil colaboradores, também tem acompanhado de perto o comportamento da indústria regional. Sondagens do setor apontam variações no faturamento entre as empresas associadas, mas mantêm uma leitura geral de estabilidade na produção e no nível de emprego, mesmo em um cenário de incertezas econômicas mais amplas.
O planejamento como fator decisivo para os novos negócios
Especialistas ouvidos por veículos locais alertam que, apesar do otimismo gerado pelos números, o sucesso desses novos empreendimentos depende diretamente de planejamento estratégico. Empreender em 2026 significa lidar com um cenário marcado por incertezas políticas e econômicas, o que exige do empresário decisões mais seguras desde a formalização do negócio até a gestão do fluxo de caixa nos primeiros meses de operação.
Para quem avalia dar esse passo, o custo inicial de formalização tem sido um dos pontos de atenção. Somando taxas da Jucesp, da Prefeitura e de certificados digitais, o custo direto de abertura de uma empresa gira em torno de R$ 900 a R$ 1.100, sem contar honorários contábeis. Com assessoria incluída, o investimento inicial pode variar entre R$ 2.000 e R$ 3.000, valor que muda conforme o porte da empresa e o regime tributário escolhido.
Perspectivas para o segundo semestre
Com o ritmo observado nos primeiros seis meses do ano, a expectativa entre representantes do setor produtivo é que Campinas mantenha o crescimento no número de empresas abertas até o fim de 2026. A combinação entre infraestrutura, presença de instituições de pesquisa como a Unicamp e um mercado de trabalho em transformação segue sustentando a cidade como um dos destinos preferidos para novos negócios no interior de São Paulo.
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