Com 73 patentes depositadas em 2025 e startups em aceleradoras internacionais, a universidade reforça o papel estratégico da cidade no cenário nacional de ciência e tecnologia.
A Universidade Estadual de Campinas conquistou, pelo terceiro ano consecutivo, a liderança no ranking de depósitos de patentes entre as universidades paulistas. O dado, divulgado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) no final de maio, não é apenas mais um indicador de desempenho acadêmico. Ele revela a capacidade real de a Unicamp transformar pesquisa em tecnologia aplicável, com impacto direto na economia campineira e no ecossistema de inovação de todo o país.
O resultado coloca a universidade na 5ª colocação do ranking geral de depositantes residentes no Brasil em 2025, disputando espaço com empresas privadas, centros de pesquisa e outras instituições públicas. Foram 73 depósitos de patentes de invenção em um único ano, um volume que reflete décadas de investimento em pesquisa de ponta e que diferencia Campinas de outras cidades do interior paulista.
O que esse resultado significa para Campinas
A liderança da Unicamp no ranking do INPI tem consequências práticas que vão muito além dos muros do câmpus. Campinas já é reconhecida como o Vale do Silício brasileiro, abrigando mais de 20 centros de tecnologia e pesquisa em inovação, além de dezenas das 500 maiores empresas globais de tecnologia da informação. A presença do Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, do CPQD e do CNPEM cria um ambiente favorável ao surgimento de novas empresas baseadas em tecnologia, as chamadas spin-offs acadêmicas.
Esse ecossistema se traduz em números concretos. Só o Desafio Unicamp, competição nacional de empreendedorismo promovida pela Inova Unicamp, já resultou na fundação de pelo menos 11 empresas spin-off desde sua criação. Na edição de 2026, o programa reuniu 324 participantes organizados em 80 equipes de todas as regiões do Brasil, chegando pelo terceiro ano consecutivo às cinco regiões nacionais em formato totalmente virtual. Apoiadores como a Baita Aceleradora, o CIESP Campinas e a Softex Campinas integram a iniciativa, mostrando que o ecossistema de inovação vai além da universidade.
Startups da cidade chegam a aceleradoras internacionais
O alcance do ecossistema campineiro não se restringe ao mercado nacional. A Inovia, startup residente no Parque Científico da Unicamp especializada em soluções de inteligência artificial, e a OmniSEC, empresa de cibersegurança incubada na Incamp, foram selecionadas para o Amcham Arena 2026, programa da Câmara Americana de Comércio para o Brasil que conecta startups a grandes empresas e mercados internacionais. A seleção coloca empreendimentos nascidos dentro da Unicamp em contato direto com oportunidades de expansão fora do Brasil.
Além disso, a Tieta.ai, outra empresa-filha da Unicamp, conquistou a terceira colocação no BRICS Industrial Innovation Contest de 2026, competindo em um palco que reúne países como China, Índia, Rússia e África do Sul. O resultado aponta que as tecnologias desenvolvidas em Campinas têm competitividade em nível global, e não apenas regional.
O fortalecimento do polo tecnológico da cidade depende da continuidade de políticas públicas que incentivem pesquisa, da aproximação entre universidade e mercado e do apoio a ambientes de incubação e aceleração. Para os campineiros, o que esses números representam é a possibilidade real de que empregos qualificados, inovação e geração de riqueza continuem crescendo na cidade nos próximos anos, diferenciando Campinas no cenário econômico paulista e nacional.
Fontes: Correio da Manhã | Parque Científico Unicamp | Inova Unicamp | Câmara dos Deputados
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

