O ecossistema que transformou a cidade no maior polo tecnológico do interior do país
Campinas já não precisa de apresentações quando o assunto é tecnologia e inovação. A cidade, que abriga mais de 1,3 milhão de habitantes e figura entre as 20 economias mais ricas do Brasil, tem reforçado a cada ano sua posição como o principal centro científico e tecnológico do interior paulista, e o Campinas Innovation Week 2026 promete ser mais uma prova disso. O evento, confirmado pela Prefeitura de Campinas por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação, ocorrerá entre os dias 14 e 18 de setembro, reunindo empresas, startups, investidores, universidades e especialistas em uma programação voltada à inovação, tecnologia e geração de negócios. Para quem acompanha a trajetória da cidade, o evento não é surpresa: é a consolidação de décadas de investimento num ecossistema que começou dentro dos muros da Unicamp e transbordou para toda a região metropolitana. ACidade ON
A Unicamp como motor do ecossistema de inovação
A Universidade Estadual de Campinas segue sendo a espinha dorsal de toda essa transformação. A Câmara dos Deputados já reconheceu Campinas como um dos principais polos de inovação do país, ressaltando que ali se encontram os maiores centros nacionais de pesquisa, desenvolvimento e inovação, além de ser a Unicamp a instituição que mais registra patentes no Brasil. Não à toa, uma das maiores revistas especializadas em tecnologia de informação e armazenamento de dados do mundo, a DataCenterDynamics, apontou a cidade como o maior polo da América Latina no setor de tecnologia, responsável por 15% da produção de tecnologia do país. Câmara dos DeputadosCâmara dos Deputados
Esse protagonismo científico tem se traduzido em resultados concretos para empreendedores de todo o Brasil. O Desafio Unicamp 2026, em sua 16ª edição, atraiu 324 pessoas em 80 equipes e registrou, pelo terceiro ano seguido, inscritos das cinco regiões do país, consolidando-se como uma competição de empreendedorismo verdadeiramente nacional. A competição estimula a criação de empresas a partir de tecnologias protegidas da universidade, o chamado spin-off acadêmico, e já formou um número expressivo de startups que hoje operam no mercado. Desafio Unicamp
Startups campineiras chegam ao mercado internacional
O movimento não para na academia. A Inovia e a OmniSEC, startups vinculadas ao Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, estão entre as selecionadas para a 10ª edição do Amcham Arena 2026, programa promovido pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil para conectar startups a grandes empresas e ampliar oportunidades em novos mercados. A Inovia desenvolve soluções baseadas em inteligência artificial, enquanto a OmniSEC atua no setor de segurança cibernética. Ambas exemplificam o tipo de empresa que Campinas tem gerado: soluções sofisticadas, com base científica sólida e vocação global. Unicamp
O Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, gerenciado pela Inova Unicamp, tem sido peça-chave nesse processo. A cidade conta com 20 centros de pesquisa e desenvolvimento e quatro parques tecnológicos, onde mais de 120 empresas estão instaladas, a grande maioria de base tecnológica. Entre os unicórnios que nasceram na região estão CI&T, Quinto Andar e iFood, que revolucionou o processo de delivery no Brasil e movimenta bilhões de reais por ano. Inova Unicamp
O papel da prefeitura na articulação desse ambiente
O poder público também tem marcado presença nesse cenário. O prefeito Dário Saadi destacou que Campinas é reconhecida como um dos principais polos de ciência, tecnologia e inovação do Brasil, e que o Campinas Innovation Week reforça esse posicionamento ao conectar empresas, universidades e talentos em um ambiente voltado à geração de negócios e desenvolvimento. O evento de setembro contará com estrutura ampliada e cinco eixos temáticos: ecossistema e políticas públicas; negócios e investimento; impacto social; conectividade; e conexões globais, cada um com embaixadores do próprio setor. ACidade ON
Para o cidadão campineiro comum, esse movimento tem impacto além dos laboratórios e parques tecnológicos. Empresas como IBM, Dell e HP já estabeleceram centros de pesquisa e desenvolvimento na região, atraídas pela infraestrutura e pelo ambiente inovador, o que gera empregos qualificados, aquece o comércio local e pressiona positivamente a oferta de serviços. A cidade que já foi referência pelo café e pela malha ferroviária constrói agora outro legado: o de ser o lugar onde o Brasil pensa o futuro.

