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terça-feira, fevereiro 27, 2024
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Campinas tem cerca de 20 mil animais pelas ruas

A Prefeitura de Campinas informou que circulam pelo município cerca de 20 mil animais considerados abandonados ou de rua. Os dados foram confirmados pelo Departamento de Proteção e Bem Estar Animal (Dpbea), órgão da Secretaria do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, que confirma que muitos são resgatados com ferimentos causados por atropelamentos, verminoses ou doenças graves, como cinomose, pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) Animal, órgão instituído no município em 2017.

A ambulância do Samu Animal dispõe de maca para remoção, tubo de oxigênio e os demais dispositivos para o pronto atendimento. O veículo realiza os resgates por determinação do Dpbea. Os chamados podem ser feitos pelo telefone 156 e, nos fins de semana e feriados, pelo celular de plantão do Dpbea, (19) 99398-4517.

Vale lembrar que abandono e maus-tratos a animais configuram-se crimes e, portanto, devem ser denunciados e punidos. A lei municipal nº 15.449/17 estabelece normas envolvendo a proteção, defesa e bem-estar animal no município de Campinas. A legislação federal penaliza com a detenção de três meses a um ano quem pratica maus-tratos contra animais. A denúncia pode ser feita pelo sistema 156 da Prefeitura de Campinas.

Ainda segundo o Dpbea, a Administração já conseguiu promover, somente neste ano, a adoção de 181 animais e outros 272 estão disponíveis para ser adotados. “Avançamos muito nos últimos anos e seguiremos focados na ampliação de políticas públicas de bem-estar animal em nosso município. Implantamos a microchipagem, o castramóvel, ampliamos a adoção de animais, principalmente daqueles recuperados após acidentes e atropelamentos pelo Samu Animal. E temos atuado mais recentemente com a medicina veterinária preventiva, por meio do programa de Clínicas Veterinárias Móveis nos bairros”, explicou o diretor do Dpbea, Vagner Bellini.

Para adotar um cão ou gato, o interessado deve entrar no site Portal Animal, da Prefeitura, e clicar na imagem do cão ou gato que deseja adotar. Depois de escolher o novo amigo, é preciso clicar em ‘Quero Adotar’, no ícone que está localizado no espaço inferior de cada página.

A próxima etapa é preencher um pequeno formulário e aguardar o contato da equipe do Dpbea, no mesmo dia. Os animais já saem vacinados, castrados, vermifugados e microchipados. “Os interessados passam por entrevistas e precisam fazer um cadastro com os documentos pessoais e comprovante de residência, para garantir que os bichos não voltem novamente para as ruas”, explicou. Bellini citou que, desde 2015, quando o serviço de microchipagem foi criado, foram registrados 45 mil animais ao todo no município.

Há mais de 11 anos, Silvia Luz, hoje presidente da Associação Protetora dos animais Aliança do Bem, trabalha junto com amigas na defesa dos animais. Por conta de não conseguir realizar diversas ações sem documentação e também burocracia, o grupo decidiu institucionalizar o movimento e o transformou em uma Organização Não Governamental (ONG). Ela acredita que a doação de animais é importante por uma série de fatores.

“Na verdade, a gente incentiva totalmente a adoção por vários motivos, mas, principalmente, por causa da população, que é de 30 animais para cada humano. Isso gera um descontrole geral, pode causar doenças e questões de zoonoses. E olhe que nem mencionei parte do amor pelo animal. Agora, para nós, protetores, a gente sabe que o animal abandonado sofre, passa fome, tem uma expectativa de vida mais curta… Por fim, é bom para evitar a questão de canis clandestinos, que até mesmo vendem os animais”, disse.

O catador de material reciclável Fernando Pereira de Araújo, de 38 anos, tinha um cachorro que morreu atropelado há cerca de quatro anos. Ele disse que chegou a cogitar não ter mais animais, no entanto, assim que encontrou o Manchinha, não resistiu e o adotou também. Hoje, o cão o acompanha para todos os lados da cidade onde o catador precisa estar. “Perdi um cachorro atropelado e nem queria outro, mas uma moça de uma ONG, que viu o acidente, disse que ia me dar outro. Eu realmente não queria, mas assim que ele me viu já veio em cima e não desgrudou mais desde então”, contou.

O aposentado Wilson Lopes da Silva, de 57 anos, está com Toquinho há 12 anos. O cão gosta muito de passear, então, quando o aposentado precisa resolver algo no Centro, o seu animalzinho vai atrás. “Não tem jeito. Não consigo sair de casa sem ele. Ele é meu protetor, porque, se alguém chega perto, ele fica bravo. Mas no mais é um cachorro dócil, que não dá trabalho algum”, disse.

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